Salto e batom vermelho. E aí?
Andei de um lado para o outro no meio da sala, exatamente às 05:00hs da manhã, coloquei o maior salto e sentei no sofá, eu não preciso ouvir o acordar da minha vizinha todo dia. Acredito que seu desejo é que todos acordem junto com ela. Eu não aguento.
Preciso encontrar um outro endereço, mas ainda não achei uma cidade, com shopping center, com aeroporto, com lojas femininas, com uma grande rede de supermercados, hospitais e salão de beleza, onde não exista nenhum residente além de mim.
Já vou dizendo que não acredito mais em duas ou três palavras soltas, elas tem que tá acompanhadas. Eu não sinto mais falta da madrugada, eu prefiro o sol.
Aliás, comprei uma nova sandália, acho que tava precisando renovar meus pés, eles andavam cansados da rotina.
Preciso ir embora, mas não sei por onde começo a organizar minha mudança, não sei como começar, não sei se é preciso, ou até mesmo se eu quero que ela aconteça. Só sei que deve acontecer.
O tempo aqui tá ficando curto, e quanto mais curto mais próximo, e esse é o maior erro. Já morei nessa casa e conheço toda sua história, não posso morar nela novamente. Ainda mais agora, que ela tá diferente, nova pintura, uma cor grotesca, sem delicadeza, o jardim não tem mais aquela recepção calorosa, os quartos já não são mais quentes, e o chuveiro já não me recebe mais com a queda daquela água carinhosa. Mas isso não muda muita coisa, é o mesmo endereço e eu já sei que é questão de tempo para ela desabar.
É uma residencia velha, onde muitos já moraram e preferiram um outro lugar, uma outra casa, aquela na qual se sintam mais acolhidos.
Tá decidido, vou mudar de endereço! Cadê minha sandália nova? Tenho que arrumar minha mala, e preciso da minha sandália, ainda tenho que descer as escadas. Ainda tenho que fechar a porta.
E aí? Acordei! Ah? E agora? Já fui embora?
Gaby Lucas

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