Minha Sapatilha Vermelha!
Sapatilha vermelha, batom vermelho, calça slim e aquela regata largada! Foi assim que comecei mais um dia, desses tantos dias que as coisas vem acontecendo "ilicitamente". Sorri.Tá quente e minhas costas agradecem, que sorriso lindo, logo pela manhã, o sol agradece. Bom dia, bom dia, bom dia, dia lindo. Você tá cheio de charme hoje, já percebeu? E pelos corredores, os sorrisos.Começa a sessão de perguntas.. Novo amor? Voltou com alguém? Você tá muito elétrica, o que aconteceu? Qual a novidade? Qual o segredo? Chego em casa, lavo o rosto e enquanto escovo os dentes penso na única resposta.Estou sentada comigo ao meu lado. Depois de me cansar tanto com tantos conselhos e derivados, resolvi sair da academia e entrei na natação, sabia que sairia de lá mais leve. A vizinha que cuida dos irmãos do meu cachorro, insisti em querer saber de onde vem tão fulminante humor.
Oxe, do balé clássico talvez.
A sapatilha agora tá confortável, não aperta mais meu dedo mindinho, meu cabelo tá mais escuro e meu batom acabou. Minhas mãos já suavam o bastante pra perceber o embrulho no estômago que tudo aquilo me causava. Com medo da queda repentina, me joguei, dei a largada, se for pra existir que seja vermelho. Não adianta tentar "antecipar" tudo que você deseja, desejar sem conhecer é não saber.É tão bom viver livre e leve, não queira, moça bonita, ser dona de tudo e do mundo, queira apenas você. Um dia inteiro para achar aquela blusa que já passeou a cidade inteira, pra procurar coisas gostosas na geladeira, usar aquele vestido que fica escondido no fundo da gaveta pra ninguém ver como ele tá velho por já ter trabalho infinitos dias em seu corpo, ouvir aquela música que só fica bonita na sua voz sendo cantada aos berros no chuveiro ou enquanto você limpa seu quarto, ouvir o celular tocar e não precisar atender. Um coração calmo, preocupado somente com a hora de bombear pra estudar, trabalhar, passear, namorar, comer, dormir e blá blá blá..
Linda e sorridente como nunca, escovando os dentes de olhos fechados, sozinha, segura o cabelo, aperta um pouco o coração sem respirar. Aperta a pasta e pensa que é um pouco da alma querendo respirar. Sem cuspir eu suporto.
Deitada abro os olhos: "Poxa, tava dormindo!" Gaby Lucas
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