segunda-feira, 25 de junho de 2012

Ah? E aí?


Acordei!
Salto e batom vermelho. E aí?
Andei de um lado para o outro no meio da sala, exatamente às 05:00hs da manhã, coloquei o maior salto e sentei no sofá, eu não preciso ouvir o acordar da minha vizinha todo dia. Acredito que seu desejo é que todos acordem junto com ela. Eu não aguento.
Preciso encontrar um outro endereço, mas ainda não achei uma cidade, com shopping center, com aeroporto, com lojas femininas, com uma grande rede de supermercados, hospitais e salão de beleza, onde não exista nenhum residente além de mim. 
Já vou dizendo que não acredito mais em duas ou três palavras soltas, elas tem que tá acompanhadas. Eu não sinto mais falta da madrugada, eu prefiro o sol.
Aliás, comprei uma nova sandália, acho que tava precisando renovar meus pés, eles andavam cansados da rotina.
Preciso ir embora, mas não sei por onde começo a organizar minha mudança, não sei como começar, não sei se é preciso, ou até mesmo se eu quero que ela aconteça. Só sei que deve acontecer.
O tempo aqui tá ficando curto, e quanto mais curto mais próximo, e esse é o maior erro. Já morei nessa casa e conheço toda sua história, não posso morar nela novamente. Ainda mais agora, que ela tá diferente, nova pintura, uma cor grotesca, sem delicadeza, o jardim não tem mais aquela recepção calorosa, os quartos já não são mais quentes, e o chuveiro já não me recebe mais com a queda daquela água carinhosa. Mas isso não muda muita coisa, é o mesmo endereço e eu já sei que é questão de tempo para ela desabar.
É uma residencia velha, onde muitos já moraram e preferiram um outro lugar, uma outra casa, aquela na qual  se sintam mais acolhidos. 
Tá decidido, vou mudar de endereço! Cadê minha sandália nova? Tenho que arrumar minha mala, e preciso da minha sandália, ainda tenho que descer as escadas. Ainda tenho que fechar a porta.
E aí? Acordei! Ah? E agora? Já fui embora? 






                                                                                                       Gaby Lucas

terça-feira, 22 de maio de 2012

Minha Sapatilha Vermelha!



Sapatilha vermelha, batom vermelho, calça slim e aquela regata largada! Foi assim que comecei mais um dia, desses tantos dias que as coisas vem acontecendo "ilicitamente". Sorri.Tá quente e minhas costas agradecem, que sorriso lindo, logo pela manhã, o sol agradece. Bom dia, bom dia, bom dia, dia lindo. Você tá cheio de charme hoje, já percebeu? E pelos corredores, os sorrisos.Começa a sessão de perguntas.. Novo amor? Voltou com alguém? Você tá muito elétrica, o que aconteceu?  Qual a novidade? Qual o segredo? Chego em casa, lavo o rosto e enquanto escovo os dentes penso na única resposta.Estou sentada comigo ao meu lado. Depois de me cansar tanto com tantos conselhos e derivados, resolvi sair da academia e entrei na natação, sabia que sairia de lá mais leve. A vizinha que cuida dos irmãos do meu cachorro, insisti em querer saber de onde vem tão fulminante humor. 

Oxe, do balé clássico talvez. 

A sapatilha agora tá confortável, não aperta mais meu dedo mindinho, meu cabelo tá mais escuro e meu batom acabou. Minhas mãos já suavam o bastante pra perceber o embrulho no estômago que tudo aquilo me causava. Com medo da queda repentina, me joguei, dei a largada, se for pra existir que seja vermelho. Não adianta tentar "antecipar" tudo que você deseja, desejar sem conhecer é não saber.É tão bom viver livre e leve, não queira, moça bonita, ser dona de tudo e do mundo, queira apenas você. Um dia inteiro para achar aquela blusa que já passeou a cidade inteira, pra procurar coisas gostosas na geladeira, usar aquele vestido que fica escondido no fundo da gaveta pra ninguém ver como ele tá velho por já ter trabalho infinitos dias em seu corpo, ouvir aquela música que só fica bonita na sua voz sendo cantada aos berros no chuveiro ou enquanto você limpa seu quarto, ouvir o celular tocar e não precisar atender. Um coração calmo, preocupado somente com a hora de bombear pra estudar, trabalhar, passear, namorar, comer, dormir e blá blá blá..

Linda e sorridente como nunca, escovando os dentes de olhos fechados, sozinha, segura o cabelo, aperta um pouco o coração sem respirar. Aperta a pasta e pensa que é um pouco da alma querendo respirar. Sem cuspir eu suporto. 

Deitada abro os olhos: "Poxa, tava dormindo!"                                                                                                                                                                             Gaby Lucas


quarta-feira, 9 de maio de 2012

Rosto limpo


Estou dentro do carro, já passei da metade do caminho e ainda não consigo admitir!
Todos na rua já perceberam que estou falando sozinha. 
Então o vejo, a alguns metros de distância, e ele encontra comigo em um peso de segundo.
Começou, minha cabeça começa a girar em um percurso de 200km por hora.
Ele entra no carro e me beija o rosto, minhas pernas tremem. Eu vejo um pedaço do tornozelo dele, eu vejo a orelha dele, ta vermelha fogo, tipico de quem acabou de levantar da cama!
Me vem um impulso de tirar a roupa dele inteira e colocar meu rosto em seu peito, mas ainda tenho muito a dizer. Ele sorri e tenta me convencer a entrar a direita, mas o meu caminho é mais curto.
Olho para aquele rosto limpo e suave e lembro o quanto eu gosto disso, lembro também de tantas outras coisas que já não gosto tanto, como o gato do vizinho andando pelo muro e fazendo a "belezinha" latir, como não gosto de lavar a louça, de ir ao supermercado, de acordar cedo e dormir tarde, daquela aula chata que parece ser a mais longa da semana. Mas por outro lado eu gosto disso, do cheiro, da pele, da respiração. 
Eu acordo pra isso, eu levanto pra isso, eu tomo banho pra isso. Eu adoro isso!
E tudo isso, e isso: é o meu acordar envaidecido, meu cabelo com cheiro do Shampoo que eu nunca encontro, é o filme que eu sempre quis assistir sendo televisionado as 23:59 do domingo, é ter alguém com quem brigar, é saber ser sensível quando precisar, é o jeito enjoado e abusado quando ele acorda todo feio.
Eu o adoro, com aquele gosto de ódio no final, ele me retem, me quer bem.
Eu não sei o que fazer, tenho um lado inteiro me privando, um lado inteiro gritando medo.
Ele me pergunta porque pareço é com "ç" e parece com "c", como se olhando pra ele isso tivesse alguma importância. Esquece isso amor, basta lembrar que você ocupa mais da metade do espaço da cama e que você passa a noite toda roçando em mim, que você tem o sorriso mais lindo que conheci.
Ele demora no banho e quando sai conta em detalhes como terminou de recriar todos os seus robôs, ele faz, ele sabe e faz, eu ouço e rezo pra que ele termine. Não, não é isso, espero que termine logo de monta-los, vamos voltar pra casa, ai você me conta tudo isso enquanto tomo banho.
Então ele continua contando, montando e recriando, eu adoro. Ele encosta em mim, cheira meu cabelo, beija meu rosto, eu adoro. Me adore, me acorde, me leve. Então eu faço o carinho, eu abraço, beijo, eu que faço a massagem, lambo, beijo, mordo, assopro e mais todo o resto.
Engraçado como tudo que ele fez foi existir, ser feio, chato, e frio.
É isso mesmo meu amor, não precisa ser mais nada, pessoas como você só precisam disso, pessoas como você só precisam existir, podem tudo.
Então ele acorda na madrugada e pede tudo de novo. Sim querido, você pode, deixe tudo comigo, apenas exista.
Só você teve o dom de me esquentar.
Você só vai precisar ter essa sua covinha na expressão da boca. Não é onde as pessoas graciosas tem. É na expressão do sorriso. Basta isso!


                                                                                Gaby Lucas
                                                      

quarta-feira, 7 de março de 2012

Diferente de tudo que amei!


Estou de preto, saia e blusa preta. Cansei do colorido!
As meninas do setor de cobrança da clinica dentaria, que sempre me olharam meio torto, acham um exagero.
Exagero porque? É proibido não querer sair de azul e lilás na rua agora?!
Elas dizem que é consequência de um amor mal resolvido, digo que PODE ser consequência de um amor mal VIVIDO. Quem sabe? Talvez!
Elas dizem que me sinto superior por carregar uma lua negra dentro do peito, digo que não carrego uma lua negra, e sim um céu escuro todo dentro de mim.
É depressivo ver pessoas sofrer por amor nos dias de hoje, acredito até que seja a falta de gozo que leve a isso.
Faço comparações sim, com o que fui e com o que me tornei, claro que sinto falta de muito de mim que ficou pra trás, mas agradeço fielmente o que me fez ser agora.
Não tenho mais sentimentos coloridos, sentimentos compromissados, tudo se tornou livre demais, quase descartável!
É como se antes existisse Marte dentro de mim, e hoje tudo tivesse protegido por placas de vidro. Acho formidável me sentir assim, segura (ao que me parece). Não evito nada, deixo as coisas acontecerem, mas tem que no mínimo me agradar.
Não se sinta mal pelo meu jeito desinteressado, nem sempre vai ser o que parece.
Não se sinta mal por eu gemer quando estou prestes a acordar, as vezes tenho sonhos efusivos.
Não se sinta mal se por algum momento me desequilibrar com você mesmo sem você ter feito nada, tenho dessas.
Não se sinta mal se disser que gosta de mim e eu apenas sorrir, vão ter dias que vou preferir calar.
Não se sinta mal comigo, pois se estiver contigo é porque deve ser de verdade.
Eu gosto de me sentir assim, meio rude e desequilibrada, eu gosto disso. Gosto de andar sem destino, me arrastando, me arranhando, me servindo, me segurando. Eu adoro uma havaiana. Eu gosto disso. 
Eu gosto também de ser odiada. De ser desprezada.
Mas por outro lado, gosto de um coração gordinho, de um amor e um carinho barrigudinho.
Eu gosto de sorrir e chorar também, gosto de ter amigas em uma mesa de bar se acabando de chorar por me ver chorar. Gosto dessa coisa dramática. Gosto do exagero e do mal trato. Gosto dessa dor que bate vez ou outra, mesmo não sentindo.
Gosto do amargo misturado ao doce. Gosto!
Tem aquela tela ainda, de vidro que as vezes quebra e é substituída em seguida!
Gosto de mim e gosto de você mesmo te odiando.


                                                                                          Gaby Lucas

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Revivendo!


E de novo, tudo novo!
Um novo recomeço, novas promessas, um novo dia!
Aquele acalento sonolento que nos faz crer no impossível.
Aquele silencio pensativo de como colocar as coisas no caminho certo.
Aquele novo sonho, novos ideais, novos objetivos.
Aquela esperança de que dessa vez seremos mais fortes e mais realistas.
Aquela fé!
Aquele pensamento em que pela manhã se deve levantar com os 2 pés juntos, de uma vez só.
Você levanta, você cai.
Está aí, um novo amor. Ele chegou novamente!
Aí começa tudo de novo.
Tudo o que foi dito você vê destruído.
“Reacredito”, revivo, refaço, recomeço, o que eu disse que nunca
mais aconteceria, acaba de acordar junto a você!
É mágico novamente, você teme.
Você acredita e desacredita.
Você quer.
As coisas acontecem diariamente a sua frente, escolha o que você
quer que aconteça na sua vida.
O que foi ontem, não precisamente será hoje ou será o amanhã!
Deixa acontecer.
Do meio pro fim se nada der certo, agradeça a quem perdeu!

                                                                                Gaby Lucas