terça-feira, 22 de maio de 2012

Minha Sapatilha Vermelha!



Sapatilha vermelha, batom vermelho, calça slim e aquela regata largada! Foi assim que comecei mais um dia, desses tantos dias que as coisas vem acontecendo "ilicitamente". Sorri.Tá quente e minhas costas agradecem, que sorriso lindo, logo pela manhã, o sol agradece. Bom dia, bom dia, bom dia, dia lindo. Você tá cheio de charme hoje, já percebeu? E pelos corredores, os sorrisos.Começa a sessão de perguntas.. Novo amor? Voltou com alguém? Você tá muito elétrica, o que aconteceu?  Qual a novidade? Qual o segredo? Chego em casa, lavo o rosto e enquanto escovo os dentes penso na única resposta.Estou sentada comigo ao meu lado. Depois de me cansar tanto com tantos conselhos e derivados, resolvi sair da academia e entrei na natação, sabia que sairia de lá mais leve. A vizinha que cuida dos irmãos do meu cachorro, insisti em querer saber de onde vem tão fulminante humor. 

Oxe, do balé clássico talvez. 

A sapatilha agora tá confortável, não aperta mais meu dedo mindinho, meu cabelo tá mais escuro e meu batom acabou. Minhas mãos já suavam o bastante pra perceber o embrulho no estômago que tudo aquilo me causava. Com medo da queda repentina, me joguei, dei a largada, se for pra existir que seja vermelho. Não adianta tentar "antecipar" tudo que você deseja, desejar sem conhecer é não saber.É tão bom viver livre e leve, não queira, moça bonita, ser dona de tudo e do mundo, queira apenas você. Um dia inteiro para achar aquela blusa que já passeou a cidade inteira, pra procurar coisas gostosas na geladeira, usar aquele vestido que fica escondido no fundo da gaveta pra ninguém ver como ele tá velho por já ter trabalho infinitos dias em seu corpo, ouvir aquela música que só fica bonita na sua voz sendo cantada aos berros no chuveiro ou enquanto você limpa seu quarto, ouvir o celular tocar e não precisar atender. Um coração calmo, preocupado somente com a hora de bombear pra estudar, trabalhar, passear, namorar, comer, dormir e blá blá blá..

Linda e sorridente como nunca, escovando os dentes de olhos fechados, sozinha, segura o cabelo, aperta um pouco o coração sem respirar. Aperta a pasta e pensa que é um pouco da alma querendo respirar. Sem cuspir eu suporto. 

Deitada abro os olhos: "Poxa, tava dormindo!"                                                                                                                                                                             Gaby Lucas


quarta-feira, 9 de maio de 2012

Rosto limpo


Estou dentro do carro, já passei da metade do caminho e ainda não consigo admitir!
Todos na rua já perceberam que estou falando sozinha. 
Então o vejo, a alguns metros de distância, e ele encontra comigo em um peso de segundo.
Começou, minha cabeça começa a girar em um percurso de 200km por hora.
Ele entra no carro e me beija o rosto, minhas pernas tremem. Eu vejo um pedaço do tornozelo dele, eu vejo a orelha dele, ta vermelha fogo, tipico de quem acabou de levantar da cama!
Me vem um impulso de tirar a roupa dele inteira e colocar meu rosto em seu peito, mas ainda tenho muito a dizer. Ele sorri e tenta me convencer a entrar a direita, mas o meu caminho é mais curto.
Olho para aquele rosto limpo e suave e lembro o quanto eu gosto disso, lembro também de tantas outras coisas que já não gosto tanto, como o gato do vizinho andando pelo muro e fazendo a "belezinha" latir, como não gosto de lavar a louça, de ir ao supermercado, de acordar cedo e dormir tarde, daquela aula chata que parece ser a mais longa da semana. Mas por outro lado eu gosto disso, do cheiro, da pele, da respiração. 
Eu acordo pra isso, eu levanto pra isso, eu tomo banho pra isso. Eu adoro isso!
E tudo isso, e isso: é o meu acordar envaidecido, meu cabelo com cheiro do Shampoo que eu nunca encontro, é o filme que eu sempre quis assistir sendo televisionado as 23:59 do domingo, é ter alguém com quem brigar, é saber ser sensível quando precisar, é o jeito enjoado e abusado quando ele acorda todo feio.
Eu o adoro, com aquele gosto de ódio no final, ele me retem, me quer bem.
Eu não sei o que fazer, tenho um lado inteiro me privando, um lado inteiro gritando medo.
Ele me pergunta porque pareço é com "ç" e parece com "c", como se olhando pra ele isso tivesse alguma importância. Esquece isso amor, basta lembrar que você ocupa mais da metade do espaço da cama e que você passa a noite toda roçando em mim, que você tem o sorriso mais lindo que conheci.
Ele demora no banho e quando sai conta em detalhes como terminou de recriar todos os seus robôs, ele faz, ele sabe e faz, eu ouço e rezo pra que ele termine. Não, não é isso, espero que termine logo de monta-los, vamos voltar pra casa, ai você me conta tudo isso enquanto tomo banho.
Então ele continua contando, montando e recriando, eu adoro. Ele encosta em mim, cheira meu cabelo, beija meu rosto, eu adoro. Me adore, me acorde, me leve. Então eu faço o carinho, eu abraço, beijo, eu que faço a massagem, lambo, beijo, mordo, assopro e mais todo o resto.
Engraçado como tudo que ele fez foi existir, ser feio, chato, e frio.
É isso mesmo meu amor, não precisa ser mais nada, pessoas como você só precisam disso, pessoas como você só precisam existir, podem tudo.
Então ele acorda na madrugada e pede tudo de novo. Sim querido, você pode, deixe tudo comigo, apenas exista.
Só você teve o dom de me esquentar.
Você só vai precisar ter essa sua covinha na expressão da boca. Não é onde as pessoas graciosas tem. É na expressão do sorriso. Basta isso!


                                                                                Gaby Lucas